Walls of Jericho – Muralhas de Jericó

Walls of Jericho - Muralhas de Jericó

Minha cidade é gigantesca.
Tudo nela é superlativo.
Gigante como a própria malvadeza,
Sem fim a seu modo cansativo.

Minha cidade tem agruras
De selva ou pantanal.
E as aves de rapina
São bicudas como o mal.

Minha cidade de suas grandezas,
suas muralhas e becos,
Não bastassem as pobrezas,
Temos gralhas e monstrengos.

Fossem só as aves de mal-amadas,
Há as estrelas descoradas.
O céu em cinzas as expulsa,
E esta terra a todas recebe.

Se a tristeza tivesse casa,
Todos sabemos, é desamparada,
Moraria em minha cidade,
Em moradia alugada.

Ser paulistano é aventura,
De não se saber o dia por vir;
De morrer a cada hora,
E trancar tudo antes de dormir.

Se procuro um horizonte,
Vejo muros num sem fim.
Se escuto o que dizem,
Tucanos e estrelas mentem para mim.

Ser paulistano é devaneio,
É garoa, é sereno.
É viajar tantas léguas,
Sob sol que é nunca ameno.

Horas e horas a cada dia,
Tanta vida nós perdemos.
E verde que ainda resta,
Tão cansados, nós não vemos.

Mas tem o tucano de nariz grande, mentiroso como sempre.
E tem a estrela que caiu do pau oco, esta, nunca foi inocente.
E o cidadão que vê essa grandeza, ainda sorri contente.
Maior orgulho do paulistano é levar uma vida decente.

Wall of Jerico

My city is gigantic.
Everything about her is superlative.
Giant like wickedness itself,
No end to his tiring mode.

My city has travails
Of jungle or swamp.
And the birds of prey
Are pointy as the evil.

My city of their magnitudes,
its walls and alleys,
Not enough the poverty,
We jays and monstrosities.

there were not only unloved byrds,
There are the pale stars.
That sky, all in the ashes expelled
And all this land receives.

If sorrow had home
All we know, she is helpless,
Would her live in my city,
In rented housing.

Being from São Paulo is an adventure:
From the next day we know nothing;
Dying every hour,
And lock up the house before bed.

If seeking an horizon,
I see endless walls.
If you listen to what they say,
Toucans and stars lie to me.

Live in São Paulo is being a daydream:
It’s drizzling, is serene.
Is traveling many leagues
Under the sun that is never uplifting.

Hours and hours every day,
So much life we lost.
And the gree still remains
So tired, we do not see.

But there is the toucan, the big nose, liar as always.
And the star that has fallen from the hollow wood, this was never innocent.
And the citizens who see this greatness, still smiling happy.
The largest pride to live here is lead a decent life.

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